menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

E se a próxima inovação da saúde for a liderança?

22 0
26.08.2026

A saúde do século XXI enfrenta problemas demasiado complexos para continuar a ser liderada com modelos do século XX. Precisamos de mais mulheres nos lugares onde se decide. Mas precisamos, sobretudo, de uma nova forma de exercer a liderança.

Há um paradoxo que já não podemos ignorar. As mulheres são a maioria da força de trabalho na saúde e nos cuidados. Estão nos hospitais, na investigação, na academia, na gestão e na prestação de cuidados. São uma parte essencial do conhecimento e da capacidade dos sistemas de saúde. Mas, à medida que subimos aos lugares onde se definem estratégias e se tomam as grandes decisões, essa presença diminui.

É um dado importante, mas a questão não é apenas quantas mulheres chegam ao topo. É se estamos a aproveitar todo o talento disponível e, sobretudo, se estamos a preparar a liderança de que a saúde do futuro precisa.

Talvez seja esta a discussão que nos falta fazer. Durante décadas, liderar esteve associado a autoridade, hierarquia, controlo, capacidade individual de decisão. Continuamos a precisar de líderes firmes. Pessoas capazes de decidir, assumir riscos, definir prioridades, exigir resultados e responder pelas consequências das suas escolhas. Mas firmeza já não chega.

A realidade tornou-se demasiado complexa. Vivemos mais anos, temos mais doenças crónicas, faltam profissionais e os sistemas de saúde estão sob pressão. A inteligência artificial está a transformar a medicina e os cidadãos querem participar mais nas decisões sobre a sua saúde. E percebemos, finalmente, que saúde não começa nem termina à porta de um hospital. Habitação é saúde. Educação é saúde. Ambiente é saúde. Condições de trabalho são saúde. Proteção social é saúde. Prevenção é saúde.

Nenhuma destas dimensões........

© Jornal Económico