A arte apurada de Tamara Alves
Encontrei por acaso a Tamara Alves em Lisboa, num dia de sol atencioso, antes destas chuvas persistentes que nos tornam caseiros. Já não a via desde 2014. Ainda me lembro quando apareceu na Covilhã. Nessa remota manhã cheguei à janela e vi uma jovem loira a pintar a parede de uma casa em ruínas que dá para o miradouro das Portas do Sol. Pouco a pouco, foi-se erguendo uma bela mulher sem globos oculares e com três braços erguidos, fantástica deusa da lã e do trabalho árduo. Hoje, este mural fabuloso de rua continua intacto e é muito fotografado por turistas e estudantes caloiros que vêm ao mirante admirar a paisagem deslumbrante. Na Covilhã, formidável museu de arte urbana ao ar livre, a pintura desta artista é uma das mais bem conseguidas, pelo seu significado histórico ligado aos lanifícios e pela sua incorporação num local emblemático. História, beleza e mistério conjugam-se aqui num triângulo que força o turista a parar. Pois nesse dia felizardo e afectuoso, ela prometeu enviar-me o livro publicado em 2024 sobre o seu périplo artístico. Recebi-o recentemente e........
