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Pequena história do Porto a sangrar por fora

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01.03.2026

O sol acertava na janela do tribunal de São João Novo e, lá em baixo, entre os cais de Miragaia e da Ribeira, o rio Douro esticava-se de lama e de histórias. O Porto via passar as últimas carruagens do "comboio das tempestades", deslizando para a Foz, quando a juíza perguntou ao homem:

- O senhor quer dizer alguma coisa?

- Que não tentei matar ninguém.

O homem no banco dos réus tentava explicar a diferença fundamental entre homicídio na forma tentada e punição controlada de um amigo traidor. Há um ano, no Carnaval de 2025, o homem carregara, mais do que o revólver, a decisão de prosseguir a vida com o seu amor infeliz.

- Eu não fui ter com ele, ele é que estava lá no bairro, perto da casa da minha mãe.

- Mas porque é que o senhor levava uma pistola?

- Não sei explicar, não há explicação.

Mas explicou: um dia descobriu tudo, mensagens e fotos num telemóvel. Falou com a companheira, ela........

© Jornal de Notícias