Pequena história do Porto a sangrar por fora
O sol acertava na janela do tribunal de São João Novo e, lá em baixo, entre os cais de Miragaia e da Ribeira, o rio Douro esticava-se de lama e de histórias. O Porto via passar as últimas carruagens do "comboio das tempestades", deslizando para a Foz, quando a juíza perguntou ao homem:
- O senhor quer dizer alguma coisa?
- Que não tentei matar ninguém.
O homem no banco dos réus tentava explicar a diferença fundamental entre homicídio na forma tentada e punição controlada de um amigo traidor. Há um ano, no Carnaval de 2025, o homem carregara, mais do que o revólver, a decisão de prosseguir a vida com o seu amor infeliz.
- Eu não fui ter com ele, ele é que estava lá no bairro, perto da casa da minha mãe.
- Mas porque é que o senhor levava uma pistola?
- Não sei explicar, não há explicação.
Mas explicou: um dia descobriu tudo, mensagens e fotos num telemóvel. Falou com a companheira, ela........
