A curadoria de um território-rede-desejado (II). O exemplo das paisagens literárias
Em escritos anteriores fiz uma alusão aos signos ou sinais distintivos territoriais como um fator fundamental de valorização dos territórios, sobretudo, nas áreas de baixa densidade. O universo material e simbólico de uma região contém muitos signos distintivos territoriais, muitos deles ocultos, subestimados ou ignorados. Eis algumas das denominações mais conhecidas e já consagradas: o mosaico paisagístico (exemplo, o montado), os sítios da rede natura 2000, as áreas de paisagem protegida, os endemismos e os serviços de ecossistema, as fontes e as minas de água, as amenidades paisagísticas e os percursos de natureza, as denominações de origem protegida (DOP) e os nichos de mercado, as apelações de património imaterial da UNESCO, o estatuto de reserva da biosfera, os vestígios, os campos e as estações arqueológicas, os monumentos e centros interpretativos, as vistas panorâmicas, a cultura tradicional, as celebrações festivas, a literatura oral e as paisagens literárias. Todos eles são excelentes exemplos de sinais distintivos territoriais, (SDT) que podem contribuir decisivamente para a construção da iconografia de uma região, de uma imagem de marca impressiva territorial.
Os signos ou sinais distintivos são, portanto, "informação bruta" acerca de um território e, ao mesmo tempo, ângulos diferentes de abordagem da história de vida desse território. O grande desafio que se segue, é, para lá da nomenclatura estatística (NUTS) ou divisão administrativa, a descoberta e a promoção de "uma geografia desejada", a busca de sentido e significado, que nos devolvam o território como "paisagem orgânica global", como "território-ser vivo", capaz de inteligência coletiva e, portanto, de uma direção e linha de rumo determinadas. Neste sentido, também, será muito interessante observar o que irá passar-se com os espaços rurais mais remotos, que nós julgávamos imunes a este movimento geral de contaminação tecnológica e digital e, doravante, imersos num caldo cosmopolita de "turistificação e culturalização" que, hoje, o universo digital e as redes sociais disseminam à velocidade da luz.
Um desses sinais distintivos tem a ver com as chamadas "paisagens literárias" e o seu corolário lógico, a produção de conteúdos artísticos e culturais associados aos territórios e aos seus percursos literários. A este propósito, três referências merecem ser sublinhadas: o Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental (1), a coleção
"Viajar com os caminhos da literatura" (2), o projeto de........





















Toi Staff
Sabine Sterk
Gideon Levy
Mark Travers Ph.d
Waka Ikeda
Tarik Cyril Amar
Grant Arthur Gochin