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Todos pagamos o preço da guerra

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15.03.2026

Depois de duas semanas de guerra, já percebemos que o Golfo Pérsico não fica assim tão distante. Por aqui não caem bombas, mas também somos vítimas colaterais do ataque de Trump e Netanyahu ao Irão. Uns milhares de quilómetros de distância não garantem segurança a ninguém neste Mundo violento e numa economia globalizada. Quando, na próxima segunda-feira, for abastecer o seu carro, carrinha, moto, camião ou autocarro à bomba de gasolina, já vai pagar mais 33 cêntimos por um litro de gasóleo, ou mais 18 cêntimos no caso da gasolina. É o bastante para afligir muita gente, cujo salário já não é suficiente para chegar ao fim do mês. Mas poderá ser bem pior. Para citar o ministro da Economia, Castro Almeida, se a guerra continuar por mais quatro ou cinco semanas, bloqueando uma das principais fontes de energia do Mundo, o problema deixa de ser conjuntural e passa a ser estrutural. A escalada no custo da energia (petróleo e gás natural) provocará uma subida de preços generalizada, ou seja, anuncia-se o regresso da inflação, incluindo em bens essenciais, como os alimentos. E com a inflação virá o aumento das taxas de juro e uma prestação maior a pagar ao banco pelo empréstimo da casa.

E isto é para as famílias. Porque também as empresas serão afetadas de forma progressiva e agressiva. E, com isso, o equilíbrio das contas do Estado, o nosso e o dos outros. Daí até ao início de uma recessão, que por sua vez trará desemprego e empobrecimento, bastarão uns poucos meses. Pode parecer uma previsão catastrofista (e oxalá seja), mas é o que nos ensina a História. É fácil detetar os sintomas que anunciam uma catástrofe económica, mesmo para um leigo. O que nunca se consegue prever é o alcance, a duração e a dor que irá provocar. Há ainda uma certeza. Numa crise económica, o castigo não é distribuído de forma equitativa. Os muito ricos continuarão a sê-lo, os remediados caem na pobreza e os pobres na miséria. Todos pagamos o preço da guerra. Ou quase todos.


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