Próxima paragem: Valongo
No primeiro anel metropolitano do Porto, Valongo é o único município sem metro. Esta ausência não é um detalhe num mapa, corresponde a uma desigualdade concreta que se mede em horas perdidas, salários penalizados, consultas adiadas, estudantes a correr para apanhar ligações e empresas a gerir atrasos como se fossem inevitáveis.
Durante décadas, as políticas públicas de mobilidade foram desenhando uma malha que, apesar dos avanços, deixou Valongo de fora. Ora, quando se fala de transição climática, produtividade e qualidade de vida, não podemos continuar a empurrar para o automóvel quem não dispõe de alternativa fiável. O comboio vai cheio nas horas de ponta, o autocarro continua dependente do congestionamento e da imprevisibilidade. E todos conhecemos os estrangulamentos diários nos acessos a Águas Santas e ao Hospital de São João. Isto não é modernidade, é resignação.
Foi nesse sentido que apresentámos à Administração da Metro do Porto um estudo técnico com duas propostas assentes em traçados existentes ou já projetados, reforçando a exequibilidade operacional e a racionalidade económica. Uma ligação que prolonga a futura Linha Maia II, servindo Ermesinde e Alfena e criando uma alternativa estruturante aos movimentos pendulares para a Maia, Asprela e Hospital de São João. E uma segunda ligação a partir de Baguim do Monte, em Gondomar, até ao centro de Valongo e à estação de comboio. Estas duas respostas permitirão integrar Valongo na rede metropolitana como aquilo que já é: a centralidade de dezenas de milhares de pessoas, com trabalho, escola, comércio e serviços.
Há um princípio político que não abdico de afirmar: esta é uma reivindicação ligada à justiça social e territorial. Conta com a solidariedade de vários autarcas da Área Metropolitana do Porto, dos vários quadrantes políticos. O metro aproxima pessoas, encurta distâncias, devolve tempo e dignidade a quem depende do transporte público. E é, simultaneamente, um instrumento de política climática: menos carros, menos emissões, mais eficiência.
A Metro do Porto comprometeu-se a aprofundar estas soluções, através de um estudo de viabilidade operacional e financeira. O Município fará a sua parte, com seriedade técnica e pressão institucional. Mas o Governo também tem de fazer a sua: inscrever Valongo nas prioridades de investimento, com financiamento e calendário. Um pequeno passo para o Governo, um grande passo para o Município de Valongo.
