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Afinal, há mais racistas do que seria de supor

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28.02.2026

O caso Prestianni-Vinicius Júnior veio demonstrar que ainda existem muitos pensamentos racistas na sociedade portuguesa e bastou correr os canais de televisão para se ouvir as maiores alarvidades de muitos comentadores, alguns deles homens cultos e aparentemente civilizados, mas que não se souberam distanciar e foram cegados pelo clubismo e também por alguma ignorância. São também tiques de uma geração ainda mal resolvida pelo fim do colonialismo, que não percebeu que o Mundo se globalizou e a superioridade, seja ela qual for, só existe dentro das cabeças mais mesquinhas, podendo até ser interpretada como um sinal de fraqueza.

Posto isto, esta enorme polémica entre o jogador do Benfica e do Real Madrid serve como uma profunda reflexão sobre uma sociedade cada vez mais carente de valores e explica, em parte, o crescimento dos partidos de extrema-direita, que têm muitos mais seguidores do que aqueles nós julgamos. Esses partidos servem-se desta enorme fragilidade social para ganhar terreno e imporem-se, dando como exemplo absurdo os imigrantes que supostamente vêm estragar o país, aumentar a insegurança e até roubar postos de trabalho.

Há assim um longo caminho pela frente, a ser trilhado pelas instâncias que têm enormes responsabilidades sociais, numa luta partilhada por todas as instituições ligadas ao futebol e que devem aparecer nestes momentos, porque a batalha contra o racismo não se pode circunscrever apenas à UEFA e à FIFA, tem de ser alargada a quem comanda os destinos desportivos de cada país. Só assim faz sentido.


© Jornal de Notícias