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Toda a ternura do Mundo

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15.03.2026

Já tanto se escreveu sobre si desde que nos deixou, querido António. Na missa de corpo presente o seu neto José Maria leu um texto maravilhoso sobre as suas últimas horas neste Mundo, durante as quais esteve à sua cabeceira de mão dada consigo à espera do derradeiro suspiro. Eu sabia que estava doente, já há alguns anos que desistira de lhe telefonar, pois todos aqueles que lhe foram relativamente próximos conhecem a sua relutância em pegar nesse objeto inoportuno que teima em interromper-nos daquilo que estamos a fazer, mesmo que pareça não estarmos a fazer nada. Estamos sempre, porque o problema do escritor é estar sempre a cogitar. Só aqueles que têm o nosso ofício silencioso e solitário sabem o que é a chatice de nos arrancarem do nosso infinito universo particular para voltar ao mundo do aqui e agora, das contas por pagar, da campainha que toca com o senhor da bilha de gás à porta, das bananas na fruteira que........

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