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Cavalo de Tróia abatido?

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13.04.2026

A derrota do húngaro Viktor Orbán é uma oportunidade para a União Europeia fazer frente aos EUA e à Rússia, dois aliados improváveis de um pequeno país membro de um grupo de nações fundado em valores como direitos humanos, tolerância e justiça. Um golpe para a Casa Branca e para a extrema-direita global, que investiu descaradamente no Cavalo de Troia que tem na UE.

Com a queda do ultranacionalista, que nos últimos anos tem minado por dentro o sistema democrático húngaro, de tal forma que há organizações que já não colocam Budapeste na lista das democracias plenas, Trump perde um representante europeu. E Putin deixa de receber telefonemas a revelar segredos das reuniões em Bruxelas.

A importância de Orbán é tal que Trump, tal como fizera com Milei, na Argentina, prometera ajudas económicas ao país, caso mantivesse o amigo no poder. Não que Magyar seja um incrível democrata e fã dos direitos humanos. Quando muito, um mal menor no contexto europeu atual. Muito possivelmente, um Cavalo de Troia em potência.

Para a UE, este é o momento de implementar rapidamente reformas para garantir um sistema de defesa comum, tendente à independência da NATO e de uns periclitantes EUA. Continuar a luta pela responsabilização das gigantes tecnológicas norte-americanas, na regulação das redes sociais. E preparar-se para a mais do que possível chegada da extrema-direita ao poder em países fundamentais, como França ou Alemanha. Antes que seja tarde demais e surjam novos líderes com alianças ainda mais duvidosas.

Quanto a Trump, ainda a tentar apanhar os cacos de uma desastrosa guerra no Irão, certamente deixará cair o amigo e focar-se-á noutros cavalos para apostar. Tudo isto, enquanto tenta fazer com que o povo americano se esqueça do que tem feito durante este mandato quando chegarem as intercalares de novembro.


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