Apesar de tudo, a saúde é uma grande oportunidade para todos
As dificuldades e as insuficiências do sistema nacional de saúde e, em particular, da sua espinha dorsal, o SNS - Sistema Nacional de Saúde, são, e continuarão a ser, tema diário dos noticiários, em regra, por más notícias.
Mas, em abono da verdade e da realidade dos factos, deverá ser sublinhado que não será esta a área em que o nosso desempenho coletivo é mais fraco, muito pelo contrário. No entanto, a sua sensibilidade, dimensão e proximidade fazem dela um exemplo e, não raras vezes, o bombo da festa.
Os desafios são grandes, porque as exigências e as expectativas também o são, e mais do que o atual estado das coisas, julgo que deve merecer preocupação o que o futuro, a prazo não muito longo, nos reserva. A pressão demográfica, a crescente exigência de mais e melhores cuidados e a escassez de recursos humanos especializados, além de outros, constituem os ingredientes para a tempestade perfeita que está à espreita. Por cá e, de uma forma geral, em todos os países com sistemas estruturados de saúde.
E aqui vale pena refletir sobre o outro lado da saúde. O que gera riqueza, exportações e emprego, e que constituiu, atualmente e em crescendo, um dos principais motores da economia e do desenvolvimento. No nosso país, alguns indicadores, ainda pouco conhecidos, são sobre isso eloquentes: cerca de 450 mil recursos humanos, o que ronda 9% do emprego nacional, dos quais mais de 55% com licenciatura, mestrado ou doutoramento; 5,7 mil milhões de euros de exportações, que representam mais do que o total do comércio externo do vinho, da cortiça, dos moldes e do calçado no seu conjunto.
Tenho para mim que as respostas aos grandes desafios que estão aí a chegar passam pela combinação inteligente de mais e sobretudo melhor gestão, com a incorporação maciça das melhores tecnologias, num contexto e num ambiente de rutura com boa parte dos paradigmas vigentes, o que está a abrir um mundo de oportunidades.
Do que julgo já ninguém terá dúvidas, quero crer, é que se continuarmos a usar as mesmas receitas e as mesmas abordagens, corremos o sério risco de obter os mesmos resultados e já vimos que estes não servem ou não chegam.
A visão terá de ser integrada e de conjunto: a sustentabilidade do sistema nacional de saúde depende da competitividade do cluster em que está inserido e vice-versa. O Pacto que está na ordem do dia, se abrangente, concreto e orientado ao futuro, pode ser um elemento determinante do sucesso e, consequentemente, da consumação da oportunidade para todos.
