Pontos nevrálgicos da guerra
Para muitos de nós, as ilhas de Kharg ou de Diego Garcia não nos dizem muito. Mas estes são pontos estratégicos na guerra entre os EUA/Israel e o Irão. Numa estão reservas petrolíferas poderosas; noutra uma base militar a partir da qual os norte-americanos podem lançar bombardeamentos de longo alcance, operar submarinos nucleares e monitorizar rotas comerciais e atividades por satélites. Neste complexo puzzle, a China está atenta a todos os movimentos.
Enquanto os média internacionais estão centrados no campo de batalha, pontos geográficos específicos, como ilhas, estreitos marítimos, portos ou rotas comerciais, vão determinando rumos que este confronto pode tomar. Dominá-los significa controlar energia, comércio ou capacidade militar.
Centremo-nos em Kharg, pequena ilha iraniana do Golfo Pérsico. Aí está o principal terminal de exportação de petróleo do país. A pergunta é óbvia: que razões levaram Trump a não atacar este território? Porque o risco económico seria colossal: o petróleo iraniano sairia do mercado, os preços disparariam de modo descontrolado e a crise energética internacional provocaria um efeito dominó em vários setores. O impacto não seria decerto apenas regional: inflação descontrolada em vários países, aumento de custos em cadeias de abastecimento globais, impacto gigantesco na vida de cada um de nós...
Outro ponto crítico é Diego Garcia, uma ilha territorialmente britânica, operacionalmente controlada pelos EUA, mas contestada pelas Maurícias. A revista "Newsweek" coloca esta semana o tema em capa, com as fotos dos presidentes dos EUA e da China. Situada no meio do Oceano Índico, esta pequena ilha alberga desde os anos 70 do século passado uma base militar conjunta dos EUA e do Reino Unido. A partir deste exíguo território, é possível projetar poder militar para grande parte do Médio Oriente e da Ásia, transformando a ilha num posto avançado da estratégia americana. A China está atenta. Porque quem controla esta ilha ganha influência sobre as rotas marítimas que ligam o Golfo Pérsico à Asia e à Europa. Por essas rotas circulam petróleo, mercadorias e grande parte do comércio global. Xi Jinping tem procurado aumentar a presença chinesa na região através de investimentos, de infraestruturas e de acordos económicos com países próximos, como as Maurícias que reclamam a soberania do arquipélago de Chagos onde a ilha Diego Garcia se integra. Podemos, por aqui, perceber a complexidade deste jogo geoestratégico.
E quando nos EUA há um presidente que age de forma explosiva e movido pelo lucro e na China outro que avança de modo silencioso e estratégico, o risco não pode ser maior.
