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As cadeias de valor e a liberdade criativa

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18.05.2026

As cadeias de valor podem ser desdobradas, genericamente, em dois grandes subconjuntos. Em primeiro lugar, as cadeias de valor da economia produtiva, mais verticalizadas e setorializadas, reportadas a bens e mercados privados e que são geralmente abordadas sob a forma de fileiras económicas. Em segundo lugar, as cadeias de valor da economia criativa propriamente dita, mais distribuídas e horizontalizadas e geralmente agrupadas em quatro núcleos principais de acordo com a classificação da UNCTAD (2010), a saber, o núcleo do património cultural, material e imaterial (1), o núcleo das artes performativas, artes visuais e artes plásticas (2), o núcleo dos media e da produção de conteúdos (3) e o núcleo das criações funcionais e utilitárias como o design, a moda, o mobiliário, a publicidade e a arquitetura (4). Estas atividades criativas são genericamente reportadas a bens e serviços de natureza pública, comunitária e privada e são geralmente abordadas no âmbito de projetos e eventos muito diversos com destaque para os projetos artísticos, a programação cultural, os festivais, os espetáculos, as feiras, as exposições, com impactos diretos e efeitos externos muito diversificados. Estes dois subconjuntos têm já muitas interações e interseções, mas os 4C da nossa liberdade criativa - conhecimento, cultura, cooperação, comunicação - têm aqui uma oportunidade para desencadear uma verdadeira revolução na forma como as cadeias de valor são concebidas e desenhadas, enquanto aguardam que as novas economias de rede e aglomeração façam o seu trabalho de agregação, reticulação e fusão de elementos das duas cadeias de valor. No final, estamos perante um duplo movimento. De um lado, trata-se de fazer a imersão das fileiras económicas convencionais nas cadeias de valor da educação e ciência, da arte e da cultura que, por essa via, devolvem a nossa liberdade criativa aos produtos e serviços finais. Por outro lado, trata-se de atribuir intensidade-rede e economia de impacto às iniciativas e projetos criativos de modo a reduzir a sua intermitência e precariedade e atribuir-lhe, também, valor de mercado. Façamos, então, algumas reflexões a propósito.

O decálogo dos valores da nossa liberdade criativa

Neste primeiro tópico a nossa reflexão incide sobre a precedência dos valores da liberdade criativa que devem animar e alargar-se a todas as cadeias de valor.

Em primeiro lugar, "a cultura não é um luxo de privilegiados, mas uma necessidade fundamental de todos os homens e de todas as comunidades. A cultura não existe para enfeitar a vida, mas sim para a transformar para que o homem possa construir e construir-se em consciência, em verdade e liberdade e em justiça". Assim disse Sophia de Mello Breyner, na Assembleia Constituinte em 2 de setembro de 1975.

Em segundo lugar, o caminho........

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