Escutar, e agir sobre, o universo amplia-nos
Este ano tive pela primeira vez a oportunidade de participar no Festival das Migrações, no Luxemburgo, um país pequeno em tamanho, mas grande como o mundo que nele habita, cerca de 180 nacionalidades. Entrávamos pelo aroma do café etíope e continuávamos por esse mundo adentro. Na banca maliana, um homem alto disse-me «Viens!» (Vem!) e eu disse-lhe que passaria mais tarde; «on t’attends!» (esperamos por ti!). É bom saber que há alguém à nossa espera.
A impossibilidade de ir até à Madeira, no dia 21 de março, dia da minha mãe, da Primavera no hemisfério norte – pena que não tenham informado a tempestade Thèrese do facto —, dia contra o racismo e dia mundial da poesia — que, não por acaso, partilham o mesmo dia —, levou-me a um dos bairros recentes da cidade do Luxemburgo, apartado do sol, mas mergulhado na humanidade. O Festival incluía também o Salão do Livro e das Culturas. Aí, pela mão da incansável Librairie Pessoa — que contribui para a difusão da literatura portuguesa em terras luxemburguesas —, assisti a um encontro com os escritores Miguel d’Alte e Lourenço Seruya sobre romances policiais portugueses.
Muito apreciei os petiscos, e as pessoas que estes me fizeram conhecer — como a Pati da República Democrática do Congo, país que, mais de 50 anos depois, passou à fase final do campeonato do mundo de futebol, integrando o grupo de Portugal —, e que frango e bolinhos, lembrando as malassadas artesanais madeirenses, as iguarias marroquinas, curdas e........
