Antes, o Pai era o último a ser contrariado
Obedecia-se antes mesmo de saber porquê.
Era assim. Primeiro obedecia-se, depois – se tanto - compreendia-se.
Noutros tempos o pai era a autoridade maior em casa. Não se discutia. O respeito que se lhe tinha era tanto que, por vezes, se confundia com medo. Bastava ouvir o som dos sapatos a bater no chão ou a chave a rodar na fechadura para perceber quem aí vinha.
À mesa, por norma o maior pedaço de carne era sempre dele. Não por vaidade, mas, porque era ele quem trazia o sustento, o cansaço e, com isso, o direito. Era uma ordem tácita. A mãe servia o prato com cuidado, os filhos esperavam. Comer era também uma aula de contenção: nada de cotovelos na mesa, nada de falar de boca cheia. E, se alguém se atrevia a dizer uma parvoíce, bastava um olhar atravessado. E, quando o olhar não bastava, os castigos falavam mais alto: um puxão de orelhas, umas “vimiadas”, umas “correadas” – levar com o vime ou com o cinto – ou até uma........
