Queres canas?
Estávamos a almoçar quando o telemóvel do meu pai tocou. Coisa rara. E eu, preparando-me para entrar em ação caso fosse alguma tentativa de burla, levantei-me para o acompanhar quando oiço:
— Sim, Silva. Está tudo bem, graças a Deus. Sim, claro que podes, estou em casa.
Um molho de cana-de-açúcar: era isso que o Sr. Silva queria oferecer ao meu pai, e, quase sem dar conta, já estava a salivar. Quem nunca chupou um pedaço de cana, tirando-lhe todo o sumo até ficar com a palha dentro da boca? E rico pitéu isto era, quando os nossos lanches se resumiam a pão com banana, bolacha Maria com leite ou uma qualquer peça de fruta furtada, às vezes, da árvore do vizinho.
A fazenda em frente à casa da minha avó tinha cana-de-açúcar. O feitor costumava oferecer algumas, que ela cortava com uma navalha, sentada no degrau do terreiro. Eu e os meus primos, sentados no chão, observávamos esta delicada e exímia operação, sempre com os olhos na navalha e questionando-nos como era possível........
