À porta fechada
Enquanto escrevia o texto passado, sobre a necessidade que muitas pessoas têm de deixar marca nos sítios por onde passam, acordou-se-me uma memória de tempos idos em que a superfície interior das portas de sanitários públicos ou de estabelecimentos frequentados por muita gente exibiam uma literatura singular. Refiro-me, em especial, àquelas que conheci: as das escolas que frequentei.
Havia poemas, declarações de amor, tiradas brejeiras e mesmo obscenas. Ali ficavam os palavrões que as meninas não diziam. Não, porque não os soubessem, mas porque lhes ensinavam que não era adequado proferi-los. Para além daqueles nacos de prosa chã, romântica ou humorística, havia desenhos de corações trespassados por setas de Cupido, flores e esboços fálicos disformes, que mais faziam lembrar tesouras.
À porta fechada, exprimiam-se revoltas e declaravam-se amores à........
