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A ironia da mentira: por que os novos personagens fictícios são mais verdadeiros do que as pessoas reais

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09.03.2026

Você já parou para pensar que, no grande teatro das redes sociais, a única diferença entre um ator e um usuário comum é que o primeiro admite que está atuando?

Abra o Instagram agora. O que você vê?

Filtros que afinam o nariz e “corrigem” a pele para simular uma beleza inalcançável. Declarações de amor eterno em legendas de casais que, na vida real, mal conversam durante o jantar. Fotos estrategicamente posicionadas em frente a carros importados ou em lobbies de hotéis cinco estrelas para ostentar uma carreira meteórica – muitas vezes, sem nem conhecer o dono do carro ou a suíte do hotel.

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Passamos a viver uma era dos avatares não declarados. Criamos versões de nós mesmos nas redes sociais, editadas e curadas, na esperança de vender sucesso, felicidade e plenitude. Mas aqui reside a grande ironia do nosso tempo: quanto mais as pessoas tentam parecer reais por meio de mentiras, mais a audiência se apaixona por quem mente declaradamente.

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Estamos vendo a ascensão dos personagens. E a razão é simples: o personagem declarado se tornou mais autêntico do que a pessoa “real”. Quando alguém veste uma peruca ou assume um sotaque exagerado, o contrato com o público é honesto: “Eu estou fingindo”. E, nesse alívio da verdade, é que a conexão verdadeira acontece.

O fenômeno Jorginho: quando o “meu!” virou milhões

O exemplo mais emblemático dessa tese é Fausto Carvalho. Formado em Educação Física e criativo por vocação, ele entendeu algo que poucas marcas corporativas captaram: a essência da tribo. Fausto não precisou inventar uma realidade paralela. Ele apenas observou a realidade ao seu redor – a “Faria Lima”, o Beach Tennis, o........

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