A ironia da mentira: por que os novos personagens fictícios são mais verdadeiros do que as pessoas reais
Você já parou para pensar que, no grande teatro das redes sociais, a única diferença entre um ator e um usuário comum é que o primeiro admite que está atuando?
Abra o Instagram agora. O que você vê?
Filtros que afinam o nariz e “corrigem” a pele para simular uma beleza inalcançável. Declarações de amor eterno em legendas de casais que, na vida real, mal conversam durante o jantar. Fotos estrategicamente posicionadas em frente a carros importados ou em lobbies de hotéis cinco estrelas para ostentar uma carreira meteórica – muitas vezes, sem nem conhecer o dono do carro ou a suíte do hotel.
Continua depois da publicidade
Passamos a viver uma era dos avatares não declarados. Criamos versões de nós mesmos nas redes sociais, editadas e curadas, na esperança de vender sucesso, felicidade e plenitude. Mas aqui reside a grande ironia do nosso tempo: quanto mais as pessoas tentam parecer reais por meio de mentiras, mais a audiência se apaixona por quem mente declaradamente.
Inscreva-se gratuitamente na InfoMoney Premium, a newsletter que cabe no seu tempo e faz diferença no seu dia
Estamos vendo a ascensão dos personagens. E a razão é simples: o personagem declarado se tornou mais autêntico do que a pessoa “real”. Quando alguém veste uma peruca ou assume um sotaque exagerado, o contrato com o público é honesto: “Eu estou fingindo”. E, nesse alívio da verdade, é que a conexão verdadeira acontece.
O fenômeno Jorginho: quando o “meu!” virou milhões
O exemplo mais emblemático dessa tese é Fausto Carvalho. Formado em Educação Física e criativo por vocação, ele entendeu algo que poucas marcas corporativas captaram: a essência da tribo. Fausto não precisou inventar uma realidade paralela. Ele apenas observou a realidade ao seu redor – a “Faria Lima”, o Beach Tennis, o........
