A colonização do esporte pelo Google
Com Lamine Yamal, Tim Howard, ex-goleiro da seleção masculina dos Estados Unidos, e Zlatan Ibrahimovic, hoje comentarista da FOX, o Google aproveitou a ocasião da Copa para promover seu novo modo de pesquisa com inteligência artificial.
A campanha multicanal destaca a integração com a emissora americana, por meio da qual os comentaristas recorrem ao AI Mode do Google Search para explicar, em tempo real, lances e estatísticas das partidas.
Inscreva-se gratuitamente na InfoMoney Premium, a newsletter que cabe no seu tempo e faz diferença no seu dia
O Google Search também patrocinou a campanha The Language of Soccer, do The Athletic, dedicada a traduzir a cultura das torcidas de diferentes países.
Continua depois da publicidade
A companhia ainda apoia a Federação de Futebol dos Estados Unidos, enquanto a marca Pixel mantém parcerias com a NWSL, nos EUA, e a WSL, na Inglaterra. No fim de maio, a CBF anunciou o patrocínio do Google por meio de um contrato que envolve a ferramenta Gemini.
À primeira vista, trata-se de um conjunto de ações institucionais e de marketing. Em conjunto, porém, elas revelam como o esporte se tornou uma das superfícies pelas quais o Google expande seu ecossistema.
Como observou o blog 365247 Sports, a Alphabet mantém atualmente seis subsidiárias operando simultaneamente no esporte: Google Cloud, Waymo, Gemini, Pixel, YouTube TV e Google Search.
Continua depois da publicidade
É essa leitura que leva James Mortimer a afirmar que a fronteira entre “parceiro tecnológico” e “infraestrutura de mídia” foi deliberadamente apagada.
Quando uma empresa insere seus produtos em transmissões que não controla, operadas por plataformas concorrentes, mas retém os dados gerados por elas, passa a ocupar uma “posição estrutural na cadeia de valor do esporte” muito além de um mero patrocínio.
Por isso, o analista descreve esse movimento como uma “aquisição de alavancagem sem assumir custos”, e ajuda a explicar de que maneira o Google amplia continuamente sua influência sobre o esporte sem precisar disputar, na maior parte do tempo, a inflação bilionária dos direitos de transmissão.
Continua depois da publicidade
Leia mais: A nova matemática dos direitos esportivos
Há, naturalmente, uma licença retórica nessa afirmação. O Google desembolsou US$ 2 bilhões pelos direitos do NFL Sunday Ticket, tema ao qual voltarei adiante. Ainda assim, sua presença não depende da transmissão ao vivo.
Mortimer propõe olhar o ciclo completo de um evento esportivo. Antes do jogo, o Google organiza a descoberta por meio da busca,........
