Beto Silva: “Espaço para uma declaração bombástica!!!”
Beto Silva está lançando o romance “A Piscina do Meu Pai”. Pausa. Mais pausa. Uma pausa longa. O que escrevo depois dessa informação? Tem leitor que quer que eu recomende o livro com adjetivos para lá de entusiasmados; outros esperam que eu desanque o autor, só pelo prazer da briga. E há os que dão de ombros. Livro é coisa de. Esse Beto Silva aí. Essas coisas.
O que me chamou a atenção no livro foi o título. Minto. Foi o autor. Minto de novo. Foi uma coincidência que tem a ver com outro livro, “O Deus Oculto no Canto do Corner”, do Milton Gustavo. Mas é muito complicado explicar aqui como uma coisa levou a outra. O fato é que levou e por isso passei horas deliciosas na rede, lendo “A Piscina do Meu Pai”, e espantado com a voz muito autêntica e simples, no bom sentido, do narrador. O livro é bom. Vai por mim!
Agradavelmente incômodo
“A Piscina do Meu Pai” conta... Outra pausa. Sou péssimo para fazer sinopses e quem se importa com sinopses hoje em dia? O livro conta uma história que tem algo de folhetinesca. Mas o mais importante é como Beto Silva retrata uma geração de angústias difusas, um tanto quanto autocentrada, meio cínica e blasé. É a voz que mencionei no parágrafo anterior. E o melhor: ele faz isso sem aquela preocupação tosca, mas muito atual, de não desagradar o leitor.
Repito: há algo de agradavelmente incômodo na voz do Guto. O que, por sua vez, exige coragem de Beto Silva. Afinal, não é muito fácil gostar do moleque e o autor (mencionei que é um dos Cassetas?) escreve numa época em que os raros leitores fogem de qualquer dificuldade ou discordância. De tudo o que é diferente. É, eu estou falando de você aí, que quer tudo mastigadinho e que reage com “ui, ui, ui, estão me ofendendo” a toda provocação. Mas agora leiamos o que Beto Silva tem a dizer na entrevista que segue:
Pensei em começar esta entrevista falando do estado precário da literatura, da aversão que os brasileiros sentem pelos livros, etc. Mas não. Quero saber: por que você faz literatura hoje?
Também me pergunto por que continuo insistindo em escrever romances, textos longos, em uma época em que só se consome coisas curtas, em que o mundo é feito de cortes. Poderia tentar escrever o meu romance já em cortes e ir publicando nas redes sociais, ou tentar uma vida de influencer que dá muito mais grana, mas é que eu não sei fazer maquiagem e sou péssimo em fazer dancinhas.
Não brigue comigo, mas preciso saber: você sente que as pessoas que leem seus livros estão em busca de uma voz do Casseta & Planeta? Se sim, como você lida com isso? Se não, pode me xingar.
É claro que muita gente acha que vai encontrar piadas do Casseta & Planeta nos meus escritos. É natural e isso não me........
