Expurgo na cúpula militar expõe o poder absoluto de Xi Jinping
A notícia repercutiu bastante: o presidente Xi Jinping afastou — com desonra — dois generais da Comissão Militar Central (CMC), a mais alta instância de comando do Exército de Libertação Popular da China (ELP). Um deles, Zhang Youxia, era até então o militar mais graduado do país. Com isso, cinco dos seis generais que compunham o comitê, sob a liderança direta de Xi Jinping, já foram afastados — uma situação sem precedentes nos últimos quarenta anos.
Para compreender as repercussões desses acontecimentos, é fundamental entender as profundas diferenças entre a organização das forças armadas chinesas e as ocidentais. No Ocidente, as forças armadas são concebidas como instituições que servem aos Estados, não aos governos. Idealmente, isso evita solavancos no planejamento estratégico de Defesa, mantendo políticas e estratégias relativamente estáveis, mesmo diante das naturais mudanças de governo que caracterizam os regimes democráticos. Assim, as trocas de chefes militares nas forças armadas ocidentais costumam ter repercussões limitadas ao âmbito interno, raramente produzindo efeitos políticos relevantes.
Na China, não é assim. O ELP, corpo único que congrega forças militares, policiais e paramilitares, não pertence ao Estado, mas ao Partido Comunista Chinês. Suas origens remontam ao Exército Vermelho, a força revolucionária que conquistou o poder pela luta armada em 1949 e fundou a República Popular da China. Mao Tse-tung, que chegou ao poder pela força, compreendia bem a necessidade de controlá-lo, razão pela qual cunhou a célebre frase: “O poder político nasce do cano de uma arma”.
Isso faz do partido e do exército as........
