A OTAN aos 77 anos: quando a ameaça vem de dentro
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a mais poderosa aliança militar da história, acaba de completar 77 anos e vive sua crise mais grave — com a ameaça vindo de dentro, e não de Moscou.
A Aliança foi criada em 4 de abril de 1949, pela assinatura, por doze países, do Tratado de Washington. O cerne da Aliança é o compromisso de defesa coletiva: cada integrante assume os riscos, as responsabilidades e os benefícios da defesa mútua, como está expresso no famoso artigo 5º do tratado: um ataque armado contra um membro da OTAN será considerado um ataque contra todos os aliados e acarreta a obrigação de cada integrante de prestar-lhe auxílio. Até hoje, nesses 77 anos de história, o Artigo 5º foi invocado uma única vez, pelos Estados Unidos, após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, oportunidade em que os países da Aliança acorreram de forma unânime em apoio aos norte-americanos.
Criada para fazer face à ameaça representada pela União Soviética, a OTAN sobreviveu ao término da Guerra Fria, adaptando e ampliando o seu papel. Inicialmente, atuou na gestão de crises, como nos conflitos dos Bálcãs, na década de 1990. Posteriormente, nos anos 2000, engajou-se na guerra ao terror que se seguiu aos ataques de 11 de setembro. Ao mesmo tempo, preservou sua função original de defesa coletiva e expandiu-se para o Leste Europeu.
Finalmente, a partir das ações da Rússia na Geórgia, em 2008, e, de forma mais evidente, na Ucrânia, em 2014 e 2022, voltou a concentrar-se na dissuasão de uma potência estatal, diante da reemergência da Rússia como ator revisionista e principal ameaça à segurança europeia. Com as incorporações da Suécia e da Finlândia ao grupo,........
