Saudade do Céu: reflexões sobre a imortalidade da alma
Nesta semana ouvi mais uma vez a linda história contada por uma conhecida médica católica, a Dra. Filó, sobre um menino que estava sob os seus cuidados numa UTI pediátrica.
Quando ela se aproximou do pequeno paciente, ele disse:
― Você não está vendo?
― Vendo o quê, meu amor?
― Os anjos. Eles estão todos aí.
Nesse momento, Dra. Filó teve a certeza de que o menino morreria em poucos minutos. Os anjos de Deus tinham vindo levá-lo de volta para Casa.
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Novamente, eu me emocionei com a história. Fiquei pensando nessa Casa para a qual os anjos levaram o menino ― e me lembrei de Camões.
Um dos mais belos poemas de Luís Vaz de Camões ― e, por conseguinte, de toda a língua portuguesa ― inspira-se no Salmo 137 para expressar um sentimento universal que habita o coração humano. Exilado na Ásia, o poeta chora de saudade à beira de uma confluência de rios dos quais não conhecemos os nomes, mas que evocam os rios do exílio do povo hebreu na Babilônia. E assim Camões começa:
Sôbolos rios que vãopor Babilónia me achei,onde sentado choreias lembranças de Siãoe........
