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Golpe de Master: o Imperador, a Imperatriz e o Banqueiro

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28.12.2025

Algo interessante une a neve de São Petersburgo em 1888 e o calor asfixiante de Brasília em 2025. Em dezembro daquele ano, Anton Tchekhov, o médico que dissecava a alma humana com a precisão de um bisturi, escrevia a contrarrelógio. Pressionado por editores rivais, ele concebeu o genial conto A Aposta, publicando-o exatamente na virada do ano. O conto é uma autópsia da vaidade: um banqueiro e um jovem advogado fazem uma aposta de dois milhões de rublos. O advogado afirma que a prisão perpétua é preferível à pena de morte; o banqueiro diz o contrário. Para provar sua tese, o jovem aceita ser colocado em isolamento absoluto por quinze anos. Se o advogado conseguir suportar a privação da liberdade por 15 anos, o banqueiro lhe pagará dois milhões.

Tchekhov não escolheu a data ao acaso. O Ano Novo é o marco zero da ilusão humana, o dia em que fingimos que o tempo é uma página em branco, quando, na verdade, ele é o carcereiro que nos consome. No conto, o advogado usa o tempo para se desintegrar e renascer intelectual e espiritualmente. Ele lê milhares de livros, estuda línguas, teologia e filosofia, para concluir, no último minuto, que as vaidades humanas........

© Gazeta do Povo