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O que o iPhone de Roberto Carlos diz sobre o Brasil

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30.06.2026

O episódio durou apenas alguns segundos. Na semana passada, na transmissão de um jogo da Copa, o ex-jogador da seleção brasileira Roberto Carlos apareceu usando um iPhone revestido de ouro. Bastou esse gesto para que as redes sociais fizessem o que fazem melhor: transformar um detalhe em acontecimento. Houve quem enxergasse apenas uma demonstração de mau gosto, quem visse uma extravagância inofensiva e quem aproveitasse a cena para condenar a desigualdade brasileira.

O verdadeiro protagonista daquela cena talvez nem fosse Roberto Carlos. Era o Brasil olhando para ele.

Objetos de luxo raramente são apenas objetos. Um relógio de centenas de milhares de reais não serve apenas para marcar as horas, assim como um celular de ouro não melhora chamadas nem acelera aplicativos. Seu verdadeiro valor está na mensagem que transmitem: tornam visível uma posição social.

Essa mensagem silenciosa desperta emoções contraditórias porque toca em uma das ambiguidades mais persistentes da sociedade brasileira. Gostamos de nos definir como uma sociedade sensível às injustiças da desigualdade, e nossa política está repleta de discursos sobre inclusão, redistribuição de renda e combate aos privilégios.

Ao mesmo tempo, poucas coisas capturam tanto a atenção do brasileiro comum quanto a exibição do luxo: as mansões de artistas, os carros de jogadores, os relógios de empresários ou as........

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