O preço de uma escolha errada
A noticiada insistência do presidente Lula em reapresentar o nome de Jorge Messias para o STF, mesmo após sua humilhante rejeição pelo Senado, pode se tornar um dos erros políticos mais graves de seu terceiro mandato. O episódio deixou de ser apenas uma disputa institucional e passou a simbolizar um teste de força entre o Planalto e o Congresso, com reflexos que devem afetar a disputa eleitoral de outubro.
A indicação de um ministro para o Supremo nunca foi um ato puramente técnico, embora faça parte do ritual todos fingirem que é. Há a sabatina, os discursos solenes, as referências à Constituição e ao “notável saber jurídico”, tudo muito elegante. Na prática, trata-se de uma jogada política: escolher alguém que ajude a ampliar a influência de um determinado grupo ou partido. É como se o sistema dissesse, com a maior naturalidade do mundo, que a mais alta corte do país é apenas mais uma peça de xadrez político.
Lula teve a oportunidade de usar a vaga como instrumento de articulação. Se indicasse um nome com trânsito no Congresso, poderia garantir apoio para pautas futuras e reforçar sua relação com o Centrão, esse condomínio ideológico onde tudo se negocia, inclusive convicções. Nesse cenário, Rodrigo Pacheco surgia como alternativa natural. Com........
