O preço da percepção de leniência com o crime
A decisão de Donald Trump de classificar como organizações terroristas o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital produziu um debate que vai muito além da discussão jurídica. A reação do governo brasileiro (e do sistema que o apoia) expõe um problema que acompanha os governos do PT há décadas: a percepção de leniência, de excessiva tolerância diante do avanço do crime organizado no país. Em ano eleitoral, essa percepção pode ter um custo altíssimo.
Quem é contra a medida afirma que o CV e o PCC não se enquadram na definição legal de terrorismo por não terem motivação ideológica, religiosa ou política. Este pode até ser um argumento juridicamente defensável. O problema é que, para a imensa parcela dos brasileiros que mora em territórios dominados pelo crime, este é um detalhe sem a menor importância.
Para o cidadão que convive diariamente com tráfico armado, extorsão, execuções, domínio territorial de facções e medo constante, pouco importa se os criminosos agem em nome de uma causa política ou meramente em busca do lucro. O resultado é o mesmo: comunidades submetidas ao terror, autoridades intimidadas e o Estado perdendo espaço para organizações criminosas, que impõem suas próprias regras à população local.
O PCC e o CV já deixaram de ser simples quadrilhas. Hoje, são estruturas........
