O Lula empurra o Brasil para fora da nova geografia industrial
A geografia da produção mundial está mudando. Enquanto o Brasil trata a disputa entre Estados Unidos e China como palco para discursos sobre uma ordem “multipolar”, empresas ao redor do mundo, sobretudo as americanas, redesenham suas cadeias com critérios concretos: distância, segurança, tempo de entrega, estabilidade regulatória e risco geopolítico. O nearshoring, portanto, vai além da economia. É parte de uma nova arquitetura de segurança hemisférica.
Entre 2020 e 2025, o comércio americano de bens e serviços com a América Latina e o Caribe saltou de US$ 983 bilhões para quase US$ 1,7 trilhão. No mesmo período, o intercâmbio dos Estados Unidos com a China caiu de US$ 615 bilhões para US$ 496 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, foram US$ 450 bilhões negociados com a região, contra US$ 116 bilhões com a China. Os números revelam que o nearshoring não é mais um projeto abstrato, mas uma realidade mensurável.
Isso não significa que as fábricas estejam massivamente abandonando a Ásia. A China continua inserida nas cadeias globais, mas a tendência é que seja cada vez menos. Mas a direção é clara: uma parcela crescente do comércio americano desloca-se para países próximos. No mundo pós-Covid, a estabilidade e a confiabilidade das cadeias de suprimentos se tornaram variáveis que competem com o preço.
Governos não ordenam que empresas abandonem fornecedores, mas alteram seus cálculos. Regras de origem, incentivos, logística, segurança e acesso ao mercado passaram a pesar tanto quanto a mão de obra. Depois da pandemia, das guerras e do uso do comércio como instrumento de coerção, a cadeia mais barata deixou de ser, necessariamente, a mais segura.
O México entendeu isso. Entre 2020 e 2025,........
