A chaga do identitarismo e o assassinato de Austin Metcalf nos EUA
Durante uma prova estudantil de atletismo realizada em abril de 2025 em Frisco, no Texas, o adolescente americano Austin Metcalf, de 17 anos, estava abrigado da chuva junto com seus colegas numa tenda, quando foi brutalmente assassinado por um aluno da escola rival.
O assassino, Karmelo Anthony, também de 17 anos, quis infiltrar-se no grupo e foi solicitado diversas vezes a se retirar, mas se recusava a fazê-lo e chegou a desafiar a turma a tirá-lo de lá. Os ânimos se acirraram e Metcalf lhe deu um leve empurrão, segundo depoimentos das testemunhas e imagens gravadas da cena. Mas foi o suficiente para Anthony pegar uma faca na mochila e cravá-la no peito de Metcalf. O garoto morreu na hora, em meio a poças de sangue, nos braços de seu irmão gêmeo, que estava junto com ele na tenda.
Diante do ocorrido, seria natural que o crime sórdido cometido por Anthony, pelo qual ele foi condenado a 35 anos de prisão na semana passada, gerasse um sentimento de indignação e revolta de forma praticamente unânime na população. A reação que se seguiu, porém, mostrou como a chaga do identitarismo – que contagiou não só os Estados Unidos nas últimas décadas, mas quase todo o Ocidente, inclusive o Brasil – tem deturpado a verdade dos fatos e ampliado a divisão entre os diferentes grupos da sociedade.
Como Metcalf era branco e Anthony, negro, o que deveria ser visto como um ato de violência vil, sem grandes questionamentos, transformou-se num caso de suposto racismo. Embora não tenha........
