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Um Brasil que prende “Débora do Batom” e solta traficante afundou na crise moral

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18.06.2026

Em uma nação historicamente marcada pelo cristianismo nominal, observamos nos últimos anos uma dolorosa inversão dos valores morais. Casos emblemáticos revelam não apenas falhas isoladas das instituições, mas sintomas de uma enfermidade muito mais profunda. Da perspectiva cristã, esses episódios expõem a realidade espiritual descrita pelo apóstolo Paulo: homens e mulheres que “por meio da sua injustiça, suprimem a verdade” (Rm 1,18).

O problema brasileiro não é, em última análise, econômico, jurídico ou político. Ele é moral e espiritual. As instituições refletem a cultura que as produz, e a cultura manifesta aquilo que habita no coração humano. Quando uma sociedade perde o temor do Senhor, sua capacidade de discernir entre o bem e o mal torna-se progressivamente obscurecida.

Vivendo sob uma inversão moral

Um exemplo que marcou profundamente o país foi o de Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”. Cabeleireira, mãe de família e sem histórico de criminalidade grave, ela participou dos protestos de 8 de janeiro de 2023 e escreveu, com batom, a frase “Perdeu, mané” em uma estátua diante do Supremo Tribunal Federal. No pior dos cenários, tratou-se de um ato de protesto de reduzido impacto material. As marcas poderiam ser removidas com facilidade. Ainda assim, o aparato estatal, acompanhado pela aprovação de parcela significativa da opinião pública e dos formadores de cultura, recaiu sobre ela com rigor extraordinário. A condenação a 14 anos de prisão, a prolongada prisão preventiva e as severas restrições impostas mesmo durante o regime domiciliar tornaram-se símbolo de desproporcionalidade e de uma inquietante inversão de valores.

Em contraste, há casos de crimes muito mais graves que parecem despertar menor indignação pública ou encontrar explicações indulgentes. Não são raras as situações em que traficantes, corruptos, homicidas e agressores retornam rapidamente ao convívio social, enquanto as vítimas e suas famílias permanecem esquecidas, carregando sozinhas as marcas profundas da violência sofrida.

Talvez um dos fenômenos mais inquietantes da vida pública brasileira seja a crescente dificuldade de chamar o mal pelo seu nome

Talvez um dos fenômenos mais inquietantes da vida pública brasileira seja a crescente dificuldade de chamar o mal pelo seu nome

Ao mesmo tempo, narrativas moldadas por pressupostos ideológicos e por um humanismo sentimental frequentemente suavizam a gravidade objetiva do mal, relativizando a responsabilidade pessoal e obscurecendo o senso de justiça. Princípios como a santidade da vida, a integridade da família e a responsabilidade moral passam a ser tratados como vestígios ultrapassados de uma ordem antiga.

O resultado é uma inquietante inversão moral. Aquilo que deveria escandalizar a consciência coletiva – o assassinato de inocentes, a violência contra os vulneráveis, a destruição da família e a corrupção do caráter e das instituições – encontra justificativas, explicações........

© Gazeta do Povo