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Formar almas fortes em tempos de superficialidade

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30.04.2026

Há heranças que não se medem em bens, mas em formação. Os pais e mestres sempre entenderam que a alma precisa ser nutrida, não apenas instruída. Em um tempo de distração constante, retomar os grandes clássicos não é luxo intelectual; é cuidado e responsabilidade dentro de casa. É conduzir os filhos à verdade, à bondade e à beleza por meio de histórias que permanecem porque falam ao coração humano.

Vivemos um tempo em que nossos filhos estão cercados de palavras, mas famintos de significado. Leem fragmentos, mensagens rápidas, textos descartáveis, mas raramente são conduzidos a obras que exigem atenção, paciência e entrega. O resultado não é apenas intelectual, mas espiritual: uma imaginação enfraquecida, incapaz de discernir entre o bem e o mal com profundidade.

Quando a leitura se torna superficial, o pensamento também se torna superficial. E quando o pensamento empobrece, o coração perde sua capacidade de amar o que é elevado. Uma geração que não lê bem dificilmente julgará bem.

A leitura, quando bem orientada, sempre foi instrumento de formação da alma. Não se trata apenas de adquirir conhecimento, mas de aprender a amar o que é verdadeiro, bom e belo. Bons livros não apenas informam, treinam o coração.

Quando a leitura se torna superficial, o pensamento também se torna superficial. E quando o pensamento empobrece, o coração perde sua capacidade de amar o que é elevado

Quando a leitura se torna superficial, o pensamento também se torna superficial. E quando o pensamento empobrece, o coração perde sua capacidade de amar o que é elevado

O caminho da formação

Há uma sabedoria antiga que precisamos recuperar: toda formação começa pelos fundamentos. Antes dos grandes clássicos da literatura, é necessário formar o gosto, o hábito e a imaginação por meio de histórias acessíveis e ricas. A criança precisa primeiro aprender a se encantar, para depois aprender a perseverar.

Quando esse caminho é ignorado, dois erros aparecem: ou se exige demais cedo demais, gerando rejeição, ou se exige tão pouco que o jovem nunca adquire densidade intelectual e moral. Em ambos os casos, perde-se o leitor.

O caminho correto é progressivo, intencional e paciente. Começa com narrativas simples, cresce com histórias mais profundas e, no tempo certo, alcança os grandes clássicos. Assim como não se constrói uma casa pelo telhado, não se forma um leitor pelo topo da tradição literária.

Livros que moldam a........

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