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Vai, Brasa! O regime luloalexandrino na “Era de Ouro da Repressão Transnacional”

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23.04.2026

“Em vez de ideias, os homens fortes que lideram a Rússia, a China, o Irã, a Coreia do Norte, a Venezuela, a Nicarágua, Angola, Mianmar, Cuba, a Síria, o Zimbábue, o Mali, a Bielorrússia, o Sudão, o Azerbaijão e talvez outras três dezenas de países compartilham a determinação de privar seus cidadãos de qualquer influência real ou voz pública, de resistir a todas as formas de transparência ou responsabilidade, e de reprimir qualquer um, dentro ou fora do país, que os desafie.” (Anne Applebaum, Autocracia, INC.)

“Vivemos a era de ouro da repressão transnacional” – escreveu Nate Schenkkan no Journal of Democracy, em outubro do ano passado. Schenkkan, ex-diretor da Freedom House (organização sem fins lucrativos dedicada à defesa dos direitos humanos e promoção da democracia), tem se dedicado a pesquisar sobre o avanço dessa prática no decorrer da última década e, com base nos relatórios mais recentes da organização que dirigiu, chega a algumas conclusões alarmantes.

No ano passado, governos de todo o mundo assassinaram, agrediram, sequestraram, ameaçaram e assediaram críticos além de suas fronteiras. A Freedom House registrou 126 novos incidentes de repressão transnacional física e direta durante o ano, elevando para 1.375 o total de casos em seu banco de dados, que abrange o período de 2014 a 2025.

Autocracias colaborando entre si no Sudeste Asiático e na África Oriental foram responsáveis pela maioria dos incidentes registrados no período. A Tailândia cooperou com autoridades chinesas e vietnamitas para deter e devolver membros de grupos minoritários. A deportação de 40 homens uigures para a China, em fevereiro, consolidou o país como o principal perpetrador mundial de repressão transnacional. Na África Oriental, autoridades do Quênia, de Uganda e da Tanzânia cooperaram mutuamente para rastrear, deter e repatriar ativistas, com o objetivo de impedir a mobilização cívica antes e durante eleições.

“A repressão transnacional molda a forma como ativistas, jornalistas e pessoas comuns vivendo no exterior se expressam, se associam e se reúnem.”Nate Schenkkan, ex-diretor da Freedom House

“A repressão transnacional molda a forma como ativistas, jornalistas e pessoas comuns vivendo no exterior se expressam, se associam e se reúnem.”

O grupo de governos perpetradores se ampliou. Seis novos Estados – Afeganistão, Benim, Geórgia, Quênia, Tanzânia e Zimbábue – foram identificados como usuários de táticas de repressão transnacional. Até 2025, pelo menos 54 governos, ou mais de um quarto de todos os países do mundo, tentaram silenciar dissidentes no exterior.

Com........

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