O regime luloalexandrino e a repressão transnacional em solo americano
“Um dos maiores desafios no combate à repressão transnacional é a ampla falta de conscientização pública. Quando ela ocorre, mesmo à vista de todos, frequentemente passa despercebida. Isso poderia ser mitigado por meio de uma campanha nacional de informação que explique o que ela é, as ameaças que representa e como vítimas e testemunhas podem responder de forma eficaz.” (Confronting Transnational Repression: A New Framework for U.S. Leadership, relatório da Heritage Foundation)
Em 12 de fevereiro do ano passado, o Comitê de Segurança Interna da Câmara dos Representantes dos EUA divulgou uma versão atualizada do relatório “Panorama da Ameaça Chinesa” (China Threat Snapshot), detalhando mais de 60 casos de espionagem conduzidos pelo Partido Comunista Chinês (PCC) em solo americano de 2021 a 2025, incluindo a transmissão de informações militares sensíveis, roubo de segredos comerciais, uso de operações de repressão transnacional e obstrução da Justiça. Portanto, quando, na sua audiência de confirmação no Senado, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que “grande parte do que precisamos fazer para combater a China começa aqui em casa”, ele parece ter acertado no alvo.
Aquelas 60 operações de inteligência conduzidas pelo PCC se espalharam por nada menos que 20 estados americanos. Um dos casos mais recentes envolveu o que se chama tecnicamente de repressão transnacional: operações por meios das quais regimes totalitários perseguem opositores fora de suas fronteiras, e que envolvem ações de vigilância, infiltração, intimidação, sequestro e assassinato.
Em 18 de dezembro de 2024, um cidadão chinês residente em Nova York se declarou culpado por conspirar para atuar como agente ilegal da República Popular da China, trabalhando na construção e operação de uma delegacia policial clandestina, sob comando do Ministério da Segurança Pública chinês, no coração de Manhattan. Nesse mesmo ano, o Subcomitê de Contraterrorismo e Inteligência ouviu o testemunho de Bob Fu, dissidente chinês e vítima de graves atos de repressão transnacional por parte do PCC. Seu depoimento contribuiu para a apresentação de três projetos de lei bipartidários destinados a combater esse tipo de repressão em solo americano.
Na repressão transnacional, regimes totalitários perseguem opositores fora de suas fronteiras, por meio de vigilância, infiltração, intimidação, sequestro e assassinato
Na repressão transnacional, regimes totalitários perseguem opositores fora de suas fronteiras, por meio de vigilância, infiltração, intimidação, sequestro e assassinato
A respeito do problema, o senador democrata Jeff Merkley já havia resumido em audiência na Comissão Executiva sobre a China do Congresso americano, ocorrida em junho de 2022:
“Além dos graves abusos de direitos humanos que cometem dentro das fronteiras da China, as autoridades chinesas têm cada vez mais estendido sua atuação a outros países para silenciar dissidentes, realizar vigilância e forçar o repatriamento de críticos. Esse longo braço do autoritarismo além-fronteiras não constitui apenas uma violação dos direitos humanos, mas também uma violação da soberania nacional dos países.”
Mas, apesar de ter crescido em escala com a China (como, de resto, sempre acontece em se tratando do gigante asiático), a repressão transnacional não é um modus operandi especificamente chinês. Na verdade, trata-se de um padrão........
