Do Natal e da liberdade
“Não somos cristãos, e católicos, porque prestamos culto a uma chave, mas porque entramos por uma porta e sentimos soprar sobre a terra dos vivos o vento que é a trombeta da liberdade.” (G. K. Chesterton, O Homem Eterno)
Há uma confusão fundamental no modo como a modernidade passou a falar de liberdade. Em Hobbes, essa confusão atinge sua forma mais característica. A liberdade humana, para o autor do Leviatã, não é uma vocação espiritual nem uma potência moral orientada ao bem. É um fato físico – a ausência de impedimentos ao movimento. Livre é o corpo que não encontra obstáculos. Trata-se de uma liberdade pré-ética, anterior a qualquer lei, tão cega quanto os impulsos que a movem. É a liberdade do animal solto na savana, não a do homem consciente de si.
É justamente dessa liberdade primitiva que o homem hobbesiano abdica ao fundar a sociedade política. O contrato social não sacrifica uma liberdade elevada em nome da ordem, mas uma selvageria funcional em nome da sobrevivência. O medo – e não o amor à justiça – é o verdadeiro arquiteto do Estado. O Leviatã nasce para conter choques entre apetites rivais, não para garantir uma ordem social ordenada ao bem. O homem entrega seu direito natural de fazer tudo o que pode fazer para ganhar algo muito mais modesto: segurança. O que resta não é liberdade no sentido forte, mas tolerância concedida pelo poder.
A liberdade cristã não é anterior à Lei, como em Hobbes, nem hostil a ela, como no homem moderno que julga Deus. É uma liberdade que se realiza na adesão consciente ao bem
No capítulo XVIII de O Poder: história natural de seu crescimento, Bertrand de Jouvenel demonstra com clareza as consequências desse........

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