Falar para não ser entendido
Estamos presos ao garrote do curto prazo. Andam todos presos a ele: governo e oposições. O curto-prazo vai esmagando qualquer vontade de fazer política a sério. A tal do P grande. Isto num fenómeno que não é português; é, no mínimo, ocidental. Por esse fardo, inventamos novas formas de fingir que se faz Política. Até na Língua.
É assim: a notícia entra primeiro nas rádios. 6, 7 da manhã. Acordam os quartéis generais do ministério em causa – um escândalo qualquer com um familiar de um ministro. A agenda do dia, vinda do dia anterior, ganha um novo lar: o caixote do lixo. A agenda agora é resolver a crise. Apagar o fogo.
Com sorte, à hora de almoço está tudo em cinzas. O próximo telejornal já contempla o contraditório. Um briefing feito à medida, comunicado à imprensa com pinças. Na melhor das hipóteses, o Governo volta a fazer Política a meio do dia. Errado. Parte do ministério continuará a preparar a mensagem a passar, para calcar as cinzas e enterrar de vez o escândalo,........
