Para além do território: a nova geopolítica das infraestruturas globais
Os acontecimentos recentes — das tensões em torno do Irão às perturbações nas rotas marítimas — são frequentemente interpretados como crises isoladas. Mas vistos em conjunto, apontam para algo mais profundo: uma transformação estrutural na forma como o poder é exercido no sistema internacional.
A mudança geopolítica mais importante do nosso tempo não está a ocorrer apenas nos campos de batalha. Está a desenrolar-se no interior dos sistemas que sustentam a economia global.
Durante grande parte da era moderna, a competição geopolítica foi entendida em termos territoriais. O poder media-se pelo controlo de território, recursos e populações, e a rivalidade manifestava-se através de confrontos militares, alianças e defesa de fronteiras. Mesmo com o aprofundamento da interdependência económica no final do século XX, a globalização era vista como um sistema neutro — um espaço onde os Estados competiam, mas que não era, em si mesmo, o objeto dessa competição.
Essa premissa já não se sustenta.
Cada vez mais, a infraestrutura da globalização — sistemas energéticos, cadeias de abastecimento, redes financeiras e corredores marítimos — tornou-se o principal palco da rivalidade geopolítica. O poder deixou de ser exercido apenas através do controlo de território, passando a depender da influência sobre os sistemas que tornam possível a atividade económica.
A questão já não é quem controla território. É quem controla os fluxos.
Esta transformação resulta, em parte, do próprio sucesso da globalização. À medida que produção, transporte e finanças se tornaram mais interligados, também aumentaram as vulnerabilidades. Dependências de fornecimento, concentração de capacidades e estrangulamentos geográficos criaram novas formas de alavancagem — muitas vezes menos visíveis do que o poder militar, mas não menos decisivas.
O que está a emergir é uma nova forma de ação estratégica: a geopolítica das cadeias de abastecimento — o........
