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O Irão não é o alvo. A China é

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16.03.2026

À primeira vista, os ataques contra o Irão parecem apenas mais uma crise no Médio Oriente — um ciclo familiar de dissuasão, retaliação e risco de escalada. Mas esta interpretação pode falhar o quadro estratégico mais amplo. O Irão não é o problema central que os Estados Unidos enfrentam. A China é.

Visto através dessa lente geopolítica mais ampla, o confronto que se desenrola em torno de Teerão começa a parecer menos um conflito regional e mais um movimento dentro de uma competição estratégica muito maior que está a moldar a ordem internacional emergente.

A rivalidade entre grandes potências raramente se desenrola apenas onde essas potências residem. Com mais frequência, manifesta-se nas periferias geopolíticas — através dos sistemas energéticos, das cadeias de abastecimento e dos corredores estratégicos que sustentam a influência global. O Médio Oriente continua a ser um desses espaços.

Cada vez mais, a própria infraestrutura da globalização tornou-se o palco onde se desenrola a rivalidade geopolítica.

A competição entre grandes potências hoje já não se trava principalmente sobre território, mas sobre os sistemas que sustentam o poder global: fluxos de energia, rotas marítimas, redes financeiras e cadeias industriais de abastecimento. Este método emergente pode ser descrito como diplomacia estratégica das cadeias de abastecimento — o uso da infraestrutura da globalização como instrumento de influência geopolítica.

Em vez de confrontar diretamente a China, Washington poderá aplicar pressão cada vez mais ao longo das redes geopolíticas que sustentam a projeção global de Pequim.

O confronto com o Irão ilustra esta dinâmica com particular clareza. A China é o maior importador de energia do mundo e cerca de metade das suas importações de petróleo bruto provém do Médio Oriente. O petróleo iraniano tem desempenhado um papel especialmente estratégico nesse sistema. Devido às sanções ocidentais, Teerão tem fornecido durante anos petróleo com desconto às refinarias chinesas.

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