A tentação mediática da Ordem dos Advogados: quem defende, afinal, cidadãos e empresas?
A recente participação da Ordem dos Advogados contra um juiz evidencia um padrão já demasiado familiar: uma instituição que reage com rapidez ao episódio mediático, mas que evita enfrentar aquilo que verdadeiramente afeta o funcionamento da Justiça — e, sobretudo, o impacto concreto que esse funcionamento tem na vida dos cidadãos e das empresas.
O problema não reside apenas numa declaração ou numa publicação infeliz. Este episódio expõe algo mais profundo: um sistema judicial que continua a operar num paradoxo persistente — proclama-se a defesa da independência judicial, mas ignora-se, na prática, o que essa independência deve garantir aos seus verdadeiros destinatários: decisões justas, previsíveis e atempadas.
Para o cidadão que espera anos por uma decisão, ou para a empresa que depende de um tribunal para resolver um litígio, estas discussões sobre frases, perceções ou deveres de reserva são manifestamente insuficientes. O que está em causa é simples: há resposta? Há previsibilidade? Há justiça em tempo útil?
Enquanto isso, o sistema mantém-se refém de indignações seletivas, comunicados apressados e silêncios convenientes. A Ordem dos Advogados segue, demasiadas vezes, esse mesmo caminho: reage ao episódico, evita o estrutural e privilegia a visibilidade mediática em detrimento da sua verdadeira missão.
No caso do juiz Carlos Alexandre, a atuação do Bastonário pouco acrescenta ao debate que realmente interessa ao país. Ao invocar o dever de reserva, esquece a liberdade de expressão qualificada; ao falar de perceção........
