De pequenino se torce o pepino: ensaio sobre o ensino
O inquérito “Teacher Knowledge Survey” da OCDE, cujos resultados foram divulgados recentemente, põe Portugal no topo em competências docentes. Apesar da pequena amostra, revela mais sobre a qualidade da formação docente em educação do que sobre aquilo que realmente acontece nas escolas. Sabemos que Portugal continua abaixo da média da OCDE nos resultados do PISA, aliado a níveis de iliteracia preocupantes, com quase metade da população adulta entre os 25 e os 64 anos com dificuldades na interpretação de textos, situando-se abaixo do nível básico. Isto obriga-nos a perguntar: se temos professores tão bem preparados, por que é que os resultados teimam em não acompanhar?
Para compreender este paradoxo, é preciso olhar para trás. Portugal viveu a ditadura mais longa da Europa Ocidental: foram 48 anos de um regime opressivo que terminou apenas em 1974. Durante esse período, a educação era um privilégio, não um direito. O acesso ao ensino era limitado, a escolaridade obrigatória era mínima, e o analfabetismo era essencial para um regime que não queria cidadãos críticos.
Somos dos países da Europa Ocidental onde ainda há avós vivos que nunca aprenderam a ler. A taxa de analfabetismo encontra-se nos 3%, com grandes disparidades entre o litoral........
