Vamos normalizar o bullying, já há demasiadas gordas a acharem-se importantes
Esta coluna chama-se Além dos Títulos. Esta semana, o título não é meu: escreveu-o um jovem de dezanove anos, num TikTok português. Não o corrigi: é assim que circula.
Um rapaz fotografa-se ao espelho do ginásio. Luz estudada. Veias salientes. Por cima da imagem escreve "a culpa é dos" e fecha a frase com o emoji de um pacote de sumo.
Em inglês, "juice“ soa a ”jews". Sumo. Judeus.
Quem não conhece o código vê um treino. Quem conhece lê um libelo anti-semita. O código serve para isso: escapar aos filtros das plataformas. E, já agora, ao Código Penal.
O rapaz não está sozinho.
A investigação do Público mapeou cem contas portuguesas de TikTok dentro da manosfera. Quase sete mil vídeos. Mais de cem milhões de visualizações. Oitenta e duas contas de masculinidade tóxica. Vinte e três de ódio ao imigrante. Sete de ódio ao judeu. Tudo embrulhado em dicas de treino, suplementos e versículos bíblicos.
Isto não é uma subcultura. É uma escola. Aberta vinte e quatro horas por dia, no bolso dos nossos filhos.
E quem decide o que se ensina nessa escola?
Não é o pai. Não é o professor. É o........
