O "não" que ninguém ouviu
Vi. Ouvi. Rebobinei. Voltei atrás, a pensar que tinha percebido mal. Não tinha. Tinha percebido demasiado bem.
A frase tinha sido dita na televisão do país. À hora do almoço. Sobre uma menor violada.
“Mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve?”
A autora? Cristina Ferreira. No Dois às 10, da TVI.
E a pergunta que devolvo é só uma. E se fosse a sua filha?
Quando quatro homens forçam uma rapariga, não há adrenalina que os iliba. Há crime. Há vítima. Há dor. O não que ela disse valeu tanto no primeiro segundo como no último.
Cristina Ferreira não fala ao balcão do café. Tem milhões de seguidores. Tem filhas e filhos que crescem em ecrãs onde ela é autoridade. O dano multiplica-se.
A adrenalina não desculpa
Quando uma estrela de televisão sugere que quatro homens em grupo podem não ouvir um não, oferece uma desculpa a cada agressor escondido atrás da química do momento.
Ensina ao rapaz de quinze anos que está no sofá, ao lado da namorada de catorze, que a excitação atenua a........
