Energia em Portugal: porque o nuclear não é (ainda) a resposta
Portugal está numa encruzilhada estratégica na energia: ou hesita perante soluções caras, lentas e controversas, como o nuclear, ou consolida a vantagem competitiva que já tem nas renováveis, tornando o sistema mais robusto e previsível. Neste momento, insistir em discutir centrais nucleares em Portugal é, acima de tudo, uma distração política e financeira face às oportunidades reais que temos ao alcance.
A eletricidade portuguesa é hoje, em larga medida, de origem renovável, com um peso crescente da eólica e da solar e um contributo histórico da hídrica. Isto já nos permite ter períodos prolongados em que a quase totalidade da eletricidade consumida é gerada por fontes limpas, ainda que, numa perspetiva anual, continuemos dependentes de térmicas e de importações. O desafio não está em “inventar” uma nova fonte centralizada de produção, mas em gerir melhor a variabilidade das fontes que já temos – algo que se resolve com redes mais inteligentes, flexibilidade e armazenamento, não com um salto para o nuclear.
Defender o nuclear em Portugal, hoje, é ignorar três fatores decisivos. Primeiro, o custo: construir uma central nuclear exige investimentos........
