A energia, as novas formas de aproveitamento e a intermitência
Portugal atravessa um momento crucial no que diz respeito ao seu posicionamento estratégico na busca de maior independência energética, num contexto europeu de aceleração da transição climática.
Em 2023, a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis garantiu cerca de 61% do consumo elétrico em Portugal, o valor mais elevado de sempre. Dentro deste total, a energia eólica representou aproximadamente 25% do consumo, a hídrica 23%, a solar fotovoltaica 7% e a biomassa cerca de 6%.
Ou seja, já é tecnicamente possível ter vários dias consecutivos em que a eletricidade consumida é quase integralmente produzida a partir destas fontes renováveis, mesmo que à escala anual ainda exista recurso relevante a centrais térmicas e importações.
Se alargarmos a análise à energia final (não apenas eletricidade), a quota das renováveis no consumo final bruto de energia em Portugal está claramente acima da média europeia e tem seguido uma trajetória de crescimento consistente desde 2005. Ainda assim, continua a representar apenas uma parte das necessidades energéticas globais do país, sobretudo devido aos setores dos transportes e da indústria, ainda muito dependentes de combustíveis fósseis.
Falar de sistema energético implica, portanto, encarar um sistema intrinsecamente complexo, que exige planeamento, gestão, monitorização e medição permanentes para garantir redundâncias, segurança de abastecimento e estabilidade na operação da rede elétrica. A integração de grandes volumes de produção variável de origem eólica e solar........
