A Europa de que precisamos
Seis semanas. Foi o tempo que a Europa demorou, após o bloqueio do Estreito de Ormuz, a reunir-se numa cimeira em Chipre da qual ninguém saiu a perceber bem para que serviu. Seis semanas em que o mundo não esperou, os mercados não esperaram, a História não esperou. Seis semanas que resumem, com precisão desconfortável, o problema central da Europa contemporânea: não é a falta de diagnóstico. É a incapacidade estrutural de agir.
A Europa que temos é uma Europa em letargia crónica. Um bloco que perdeu o sentido de urgência, que substituiu a visão pela regulação, a ambição pela burocracia e a liderança pelo consenso paralisante. A cada crise que passa, tecnológica, geopolítica, climática, ou industrial, a União Europeia encolhe um pouco mais no mapa do poder global. Não de forma dramática, não com um colapso visível, mas com a silenciosa erosão de quem vai cedendo terreno enquanto se realizam reuniões sobre como não ceder terreno.
A quota europeia no PIB mundial caiu de 25% para 14% nas últimas três décadas. O fosso face aos Estados Unidos alargou-se de forma significativa. Atualmente, a maior parte da capacidade global de produção de semicondutores concentra-se na Ásia. A Europa continua a gerar talento, mas raramente o transforma em produção industrial e tecnológica em larga escala. Tudo isto enquanto Bruxelas acumula diretivas, o Conselho acumula cimeiras e os parlamentos nacionais manifestam reservas à integração.
Desde a sua publicação em setembro de 2024, o Relatório Draghi tem........
