A lição de Ormuz – e nós, do que é que estamos à espera?
O Estreito de Ormuz tem menos de 40 quilómetros na sua parte mais estreita. Por ali passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito que o mundo consome. Durante décadas, o acesso a esse corredor foi tratado como uma certeza. Hoje sabemos que não é. A ameaça do seu encerramento, real ou instrumentalizada, bastou para fazer tremer mercados, cadeias de abastecimento e governos. E para nos lembrar de uma verdade desconfortável: o que recebemos de terceiros pode ser-nos retirado.
Esta não é uma crise pontual. É um sintoma de algo mais profundo: vivemos num mundo de decisões de curto prazo, guiadas por interesses particulares, onde a visão de longo prazo só emerge, e ainda assim com dificuldade, quando o que está em causa é verdadeiramente comum a todos. O clima é um desses casos. A energia é outro. E quando os dois se cruzam, a urgência é inegável.
Os Estados Unidos escolheram, neste momento, um caminho contrário: regressar aos combustíveis fósseis (drill, baby, drill!), abandonar compromissos climáticos, deixar o multilateralismo para trás. É uma escolha soberana. Mas é também um sinal. Os países que souberem construir autonomia energética estarão numa posição........
