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Temos de fazer com que a verdade volte a importar

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27.09.2026

Um dos efeitos mais agradáveis da inteligência artificial, seguramente por ser inesperado, é que surgiu finalmente um tema de conversa popular que dá mais pano para mangas do que o futebol. A IA é o grande marco da nossa época. Nas conversas informais, fascinam os truques e as proezas conseguidos com ferramentas como o ChatGPT, o Claude ou o Gemini e, nos fóruns com mais pretensões, a conversa eleva-se já à geopolítica, à reestruturação do emprego, ao desafio energético, à transformação da indústria da saúde ou à mutação da guerra. No entanto, é surpreendente o pouco que se reflete sobre o seu enorme impacto na desinformação, sendo este um dos desafios mais urgentes e complexos do nosso tempo. Que este assunto passe tão ao de leve pela conversa popular é, na verdade, um sintoma alarmante. Um novo sinal de que a verdade já não importa, ou de que, pelo menos, já não importa tanto. E isso não deixa de ser, paradoxalmente, um traço da própria desinformação.

O Relatório de Riscos Globais do Fórum Económico Mundial coloca a desinformação impulsionada pela IA entre as ameaças mais graves, a curto prazo, para a estabilidade mundial. Não é difícil perceber porquê. A inteligência artificial permite produzir imagens, vídeos, áudios e textos falsos com uma velocidade, um custo e uma escala que, até há muito pouco tempo, eram inimagináveis. O que aí vem, como me antecipou há três anos Maria Ressa, a Nobel da Paz filipina, vai fazer com que a avalanche de desinformação dos últimos anos pareça uma brincadeira. Ela mostrou-me alguns dos ataques de que era alvo nas redes sociais. No telemóvel dela, vi todo o tipo........

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