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China: a paridade que o Ocidente não quis ver

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Durante muito tempo, no Ocidente, houve uma ideia quase automática: a China podia crescer economicamente, expandir influência diplomática e reforçar a sua capacidade militar, mas existia um domínio onde os Estados Unidos continuavam claramente à frente — o ciberespaço.

Em 2021, uma análise citada pelo Financial Times sustentava precisamente isso. A capacidade ofensiva chinesa no plano ciberespacial estaria pelo menos uma década atrás da norte-americana. Washington mantinha uma vantagem sustentada pela experiência operacional, pela integração entre intelligence e defesa, pela proximidade com o setor tecnológico e pelo próprio controlo histórico da arquitetura global da internet. A China era vista como um adversário em ascensão, mas ainda longe da paridade.

Hoje, essa leitura parece datada.

O mais recente relatório da MIVD, os serviços de informação e segurança militar dos Países Baixos, apresenta uma conclusão muito mais inquietante: a China poderá já estar ao nível dos Estados Unidos em capacidades ofensivas no ciberespaço. Mais do que isso, os próprios serviços holandeses admitem que apenas uma pequena parte da atividade chinesa dirigida à Europa é efetivamente detetada.

Isto não significa apenas que Pequim melhorou tecnicamente. Significa que o equilíbrio de poder mudou.

Durante anos, o debate europeu sobre a China centrou-se sobretudo no comércio, nos........

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