Quem quer guerra com o Irão?
Há guerras inevitáveis e há guerras escolhidas. A distinção, embora nem sempre evidente no momento em que os acontecimentos se precipitam, torna-se mais clara à medida que o custo humano, político e económico se acumula. A atual escalada entre os Estados Unidos e o Irão parece, aos olhos de uma parte significativa da opinião pública americana, pertencer à segunda categoria.
Uma sondagem recente da CBS News é particularmente reveladora: 66% dos americanos considera este conflito uma guerra de opção, isto é, uma decisão política, e não uma necessidade estratégica incontornável. Mais ainda, 68% admite nunca ter compreendido com clareza quais os objetivos da investida americana. Estes números não são meros indicadores de desgaste, mas antes sinais de um défice de legitimidade que, em democracia, tende a cobrar o seu preço.
A decisão de avançar para um confronto direto com o Irão levanta, desde o início, dúvidas quanto à sua racionalidade estratégica. O Irão não é um adversário trivial: é um ator regional com capacidade de projeção assimétrica, redes de influência consolidadas e uma resiliência histórica que desaconselha aventuras precipitadas. Entrar num conflito com Teerão não é apenas abrir uma frente militar, mas é potencialmente desestabilizar toda uma região já marcada por equilíbrios frágeis.
Do ponto de........
