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EUA vs Irão: quem ganha com a guerra intermitente?

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27.07.2026

Há guerras que evoluem em direção a um desfecho. Outras parecem instalar-se numa lógica de intermitência permanente, alternando entre momentos de escalada militar e períodos de aparente contenção diplomática. O conflito entre os Estados Unidos e o Irão entrou precisamente nessa fase. E essa mudança altera também a forma como devemos avaliar os seus vencedores e vencidos.

Depois dos ataques norte-americanos, da resposta iraniana e das sucessivas tentativas de reabrir canais diplomáticos, o Médio Oriente parece viver num equilíbrio instável, onde cada demonstração de força é rapidamente seguida por um esforço de contenção.

À primeira vista, esta intermitência pode ser interpretada como um sinal de desanuviamento. Mas talvez não seja assim. É possível que estejamos apenas perante uma nova forma de conduzir o conflito, em que a guerra deixa de evoluir de forma linear para passar a oscilar entre momentos cuidadosamente calibrados de escalada e de negociação. Não porque os seus protagonistas procurem a paz, mas porque procuram evitar uma guerra regional de grandes dimensões sem abdicar dos objetivos estratégicos que continuam a persegui-los.

É precisamente por isso que a fase atual já não se explica, pelo menos de forma prioritária, pela capacidade militar de cada protagonista, mas pela necessidade de cada um restaurar a credibilidade da sua dissuasão. Mais do que derrotar o adversário, importa convencê-lo de que determinadas linhas não poderão voltar a ser ultrapassadas sem custos elevados.

A........

© Expresso