A escolha sempre foi tua, Sísifo
É preciso dialogar com a moral milenária que nos governa, silenciosamente, desde que nos fizemos sociedade civil. A glorificação indiscutível do sacrifício. Esta ética não é neutra, é antiga, romana na ossatura, cristã na essência, bélica no imaginário. O corpo que resiste. O soldado que não recua. O homem que, perante o sofrimento, encontra a sua redenção.
Herdámos este léxico sem discuti-lo e aplicamo-lo a tudo sem exceção. Falamos do amor como luta, do trabalho como provação, da vida como batalha, do quotidiano como prova de resistência. “Aguenta”, “Continua”, “Persiste”.
Ficar, mesmo quando não faz ou deixou de fazer sentido, continua a ser tido por prova de carácter, porque aguentar é nobre e sofrer é virtuoso. Sair, já de si, acarreta um travo de suspeita, muito fácil, demasiado confortável, quase indecente.
Admira-se o adulto que........
