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Um plano para o cuidador: porque o amor e a resiliência não chegam

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06.08.2026

Em Portugal, estima-se que cerca de três em cada 10 pessoas venham a desenvolver cancro antes dos 75 anos. Por detrás deste número estão milhares de famílias que, de um dia para o outro, passam a reorganizar a sua vida em função de um diagnóstico. Ainda assim, raramente se fala sobre o que essa reorganização significa, na prática, para quem está mais próximo do doente.

quase três anos que cuido da minha mãe com cancro do pulmão em estado avançado, diagnosticado após uma ida às urgências por suspeitas de covid-19. Quando uma doença destas, descoberta numa fase em que não lugar a cura, entra numa família, tudo muda. As nossas prioridades, as nossas preocupações do dia a dia, a nossa rotina e os nossos planos para o futuro. Que futuro? Passamos a viver em função da doença e da pessoa que amamos.

Recordo-me bem do dia da primeira consulta com a médica oncologista. A ansiedade para, finalmente, perceber o que nos esperava era enorme. E escrevo “nos esperava” porque, desde o início, me vejo a mim e à minha mãe como uma espécie de entidade individual, que se formou organicamente no momento do diagnóstico.

Tem cura? Há tratamentos? Quais os efeitos secundários? Quanto tempo tenho com a minha mãe? Eram muitas as perguntas, mas era ainda maior o receio de algumas respostas. Durante a consulta, falou-se da doença, dos exames necessários, dos tratamentos disponíveis, dos possíveis efeitos secundários e dos próximos passos a seguir. Saímos daquela consulta com o peso do diagnóstico, mas também com a tranquilidade de quem tem um plano de ação para o doente. Havia um caminho difícil a percorrer, mas estava traçado e agora era uma questão de o seguir.

O que eu desconhecia, nesse momento, era o que implicava pôr tudo aquilo em prática fora do hospital. E que, para além desse plano, precisávamos de um outro: o meu plano. Um plano que ninguém me ajudou a construir. Ninguém me falou sobre o que significava cuidar de uma........

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